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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

A nossa história fala por si: O permanecer na Universidade de Brasília




Hoje é um daqueles dias de refletir mais, de alguma forma mostrar para a universidade e para a população que você veio fazer a diferença, que você honra o espaço vivenciado.


Completo 500 (7.500 horas) créditos na UnB, tudo vivido aqui, sem contar estágios não obrigatórios, pesquisas, e horas de extensão.


O primeiro semestre foi bem crítico (notas baixas, reprovação, quase reprovação - foto 01), sem dinheiro para sair de Jardim Zuleika (Luziânia), e ir para Brasília, ajudava minha mãe com os objetos do bazar, mas tinha dia que não vendia absolutamente nada, então eu tinha que escolher os dias para faltar, e priorizar os dias de avaliações, para tentar chegar no segundo semestre.


Nesse período estávamos tendo greve do administrativo (agosto/2015), e durou vários meses, logo não tinha restaurante universitários com acesso livre como tinha hoje, levava bolinho de trigo (água, farinha de trigo da marca Só Trigo, e

Sal), era minha refeição no dia. Era bem magro.


Eu saia de casa de madrugada (5h10 manhã, engarrafamento no Atacadão, e no monumento chifrudo) com o dinheiro contado para pegar o Jardim Inga - Brasília (tinha que ser Jardim Inga, porque era mais barato, mesmo eu indo e voltando sempre em pé no ônibus), indo para uma BR 040 perigosa, e nada iluminada, com chuva ou frio. Descia na rodoviária de Brasília, ou na W3 Norte, altura do Habibs, e descia para a UnB, algumas vezes chegava atrasado, a professora Rachel Nunes me passou por ver meu esforço, pois atraso é falta. 


Aproveitava que estava na UnB e usava a BCE pois não tinha computador/internet, muitas vezes ia bem tarde para a rodoviária, e sempre andando, pois o cartão do antigo DFTrans demorou meses para ficar pronto. Lembro que nesse dia fiquei todo emocionado, pois sempre paguei passagem (em Jardim Zuleika não existe passe livre), e fui passar o cartão no ônibus, e eu pensava que era igual a gente passa no supermercado (risos), lembro que a cobradora até deu uma risada.


De roupa tinha uma bata branca (que as pessoas riam falando que eu tinha saído de um templo), três calças, e algumas camisetas infantis, e um tênis branco que tinha trocado com meu tio.


Nunca pensei em desistir, mas eu sentia que estava muito difícil, e se caso acabasse, estaria tudo bem, pelo menos tinha tentado, seria mais algo que não teria dado certo na minha vida.


Bom, o edital da DDS (diretoria de assuntos sociais aqui da UnB) saiu, tinha documento que eu nem sabia que existia, eu e minha mãe fizemos alguns a mão, mostrando a nossa realidade, foi uma espera que me causou muita ansiedade, mas deu certo.


Mudei para casa estudantil, e muitos desafios, mas essa história conto outro dia.


Agradeço cada pessoa que cruzou a minha vida, e que me ajudou, seja com uma carona no ônibus, seja com uma palavra de incentivo, seja com um sorriso. Amo vocês, e desejo o que há de melhor nessa vida, que dia a dia estamos a lutar, eternamente grato. ❤️