Ontem estava eu voltando do supermercado e presenciei um acidente de trânsito, foi um acidente muito estranho, um carro estava parado no canto da pista, e outro passou em baixa velocidade, e por um pequeno descuido pegou a traseira direita do carro, fazendo o carro parado subir no meio-fio, logo apareceu a dona do carro, e depois de um minuto saiu do carro o motorista, que não apresentava sinais de embriagues, e uma senhora, talvez vó dele, ou mãe, os carros eram bem simples, o que estava parado era mais novo, a senhora saiu do carro desesperada, colocou as mãos sobre o rosto e abraçou a dona do carro atingido, após isso sentou-se em uma mesa do quiosque, estava em choque, enquanto isso o motorista estacionava o carro no canto da pista para não prejudicar o trânsito.
Me fez pensar sobre esses fatos do cotidiano, acidentes de batidas assim são comuns de acontecer, aconteceu, que bom que ninguém se feriu, é pagar o conserto, e seguir a vida.
Mas a questão econômica é algo que mexe com as pessoas, principalmente nós pessoas humildes, fiquei refletindo sobre o comportamento da senhora, de entrar em desespero, estou supondo que tenha relação com o financeiro, imagina você sair de casa e se deparar com um problema assim, em um contexto de uma pessoa humilde, como pagar?
Me fez lembrar quando eu morava em uma casa do estudante, a minha condição econômica me fazia ficar hiper vigilante para nada acontecer, para eu fazer tudo da melhor forma possível, pois caso contrário eu seria mandado embora por uma coordenação, e dar adeus a um sonho, se eu fosse bem economicamente isso não aconteceria, porque a minha moradia dependeria exclusivamente de mim.
E isso me fez pensar em como não é uma tarefa nada fácil você manter uma solidez emocional, se referindo a questões econômicas, lembro que eu ficava com medo de inventarem coisas ao meu respeito e tentarem me tirar da casa, e fizeram (mas fui até o fim, sofrido, mas fui), eu ficava com medo da bolsa não entrar, ou seja, meu emocional sempre estava vulnerável por conta dessas questões, uma verdadeira corda bamba, e com tudo isso eu tinha que fazer as disciplinas, os estágios, as pesquisas, e os projetos de extensão.
Como estamos vulneráveis.
Se eu pudesse eu teria amparado aquela senhora, porque por mais que você esteja vulnerável, quando você tem um apoio emocional as coisas ficam mais fáceis de serem resolvidas.
