Olá, como você tá? Espero que bem.
Hoje estava a pensar sobre violências, macro e micro violências, e ao refletir sobre essas questões, me fez ver o quanto a violência é naturalizada em nossa sociedade. Poderia aqui escrever "e pior, acontece também em locais onde na teoria deveria combater", e isso é muito conflitante para uma psiquê, é uma sensação de abandono, sabe aquele pai que deveria proteger e bate? Então, eu, você, podemos começar a achar normal a violência, "ah, mas eu fiz coisa errada (mesmo não sendo)", "ele tá fazendo isso porque se preocupa comigo", então você começa a achar normal uma fala agressiva, um olhar intimidador, e por aí vai.
Estou passando por essas violências, começou com um assédio, que hoje vejo que foi um assédio sexual, moral e psicológico, episódios de passar passar a mão no seu corpo sem autorização, te agredir verbalmente, "de brincadeira", e quem poderia te amparar simplesmente ignora, e ainda te penaliza.
Depois desse fato que consumiu (em todos os sentidos) sete meses da minha vida, passei por mais provas de fogo, como retirada de direitos, e acusações sem veracidade, que por mais que você saiba que aquilo não é verdade, existe todo um contexto que mexe com seu emocional, entre o início de uma acusação, e a conclusão dela, sem falar que, quando é algo constante, esses desgostos vão se aglutinando, e gerando em você comportamentos de revolta.
As violências foram criando "sofisticações", e aparecendo de forma sútil, que, para quem não conhece o contexto passa a imagem de "regras, normas", por exemplo, quando duas pessoas que possam vir a se chocar (personalidades) são colocadas juntas, sem necessidade, existe uma intencionalidade, mas faz parte da regra fazer esses "arranjos", percebem que é bem sútil, e quem percebe esse movimento intencional pode ser acusado de não aceitar as "regras". Com a sofisticação, as violências criaram uma outra interface, o de desprezo, do ignorar, da não garantia de direitos, que ia de uma não resposta sobre algo, a um não conserto (estrutura predial) de algo que impacta diretamente a sua saúde, e nesse momento que parei e pensei: será um teste de resistência e não estou sabendo, ou faz parte do tratamento para pessoas críticas?
Participei de GTs (grupo de trabalhos), e pontuava desconfortos da comunidade estudantil, acredito que ali que a coisa começou a criar uma proporção maior, e olhando para aqueles momentos, percebo o quanto fui determinado, imagina pontuar posturas que afetam a vida das pessoas, com os agressores presentes, mas claro, com toda a diplomacia de não fazer nomeação de pessoas, pois, acredito que é um direito nosso reivindicar por direitos, mas isso me trouxe consequências, que foram em cheio na minha saúde, física, e mental.
Agora a violência criou uma outra nova forma de "sofisticação", a de usar as leis e direitos, a qual eu estava acessando, à favor dos agressores. Em um certo dia fui de encontro à sala para buscar uma encomenda, e fui recebido com hostilidade, ao perceber aquilo já ligou em mim o pensamento de reflexão, e pensei, "qual a intencionalidade disso?". Me retorna o eu lírico "isso tem nuances de remoque", a pessoa então começa a me agredir sutilmente, eu só queria pegar minha encomenda e sair, essa pessoa então fala "depois a gente conversa", subi para meu apartamento, pensando em como determinadas posturas não tinham fim, e que aqueles diálogos só reduzem as pessoas ao seu mínimo, sabe aquele sentimento de vergonha alheia? É bem isso. Horas depois eu desci, porque nesse dia iria acontecer a dedetização, e fiquei estudando lá perto, e não queria me abalar com aquilo, cumprimentei uma outra funcionária que ali trabalha, e respirei. No outro dia recebi um e-mail de uma acusação de assédio moral, fiquei sem reação, não sabia como reagir, isso era algo muito novo para mim, foi quando busquei apoio de gestões, algumas pessoas a qual tenho um imenso carinho me retornaram, e outros não entraram em contato, me recordo que nesse dia não fui ao Restaurante Universitário, e para eu não frequentar o restaurante é porque algo de grave aconteceu, ou não estou em Brasília. Foi aí que percebi que a violência teve uma reatualização da "sofisticação", só que não sabia como me proteger de algo tão "minha palavra contra a sua palavra", seria a palavra de alguém que chama as pessoas de amor, que abraça todo mundo, que fala em Deus, contra um estudante migrante em Brasília, que tem uma postura firme, que pode transparecer como seco, que precisa de uma construção afetiva para chamar alguém de amor (acho intenso), que não tem religião, mas que tem uma espiritualidade, e se encontrou como filho de Xangô. e mais a frente pude perceber que a prática de gaslighting é bem presente, e eu estava passando por isso, mas só me dei conta através de leituras sobre violências "ei, eu estou passando por isso, só não sabia o termo técnico".
